terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

"O PAC ajuda a desmatar"


Pesquisando sobre a Amazônia, encontrei este cara, gostei muito dele, ta aí:
Philip Fearnside.




Quando o tema é aquecimento global, Philip Fearnside, pesquisador do Instituo Nacional de Pesquisas da Amazônia ( Inpa), em Manaus, é o segundo cientista mais citado no mundo nos últimos dez anos, de acordo com o Science Citation Index. O levantamento, feito por meio de referências em revistas na área, revela a importâcia científica de suas pesquisas na Amazônia, onde desembarcou em 1976. Formado em biologia pela Universidade do Colorado e Ph.D. em ecologia pela universidade de Michigan, aos 57 anos Fearnside comanda uma equipe que mapeia os serviços ambientais prestados pela floresta. Sua proposta é ousada e radical: ele sugere que os países do mundo paguem pelo benefícios ecológios que a floresta traz, como organismo que regula o fluxo de chuvas, a temperatura e evita o agravamento do efeito estufa. Para Fearnside, o resarcimento material por esse benefícios produzidos pela floresta garantiria a qualidade de vida de vida de sua população, mantendo preservada a Amazônia.
Ele critica as medidas anunciadas pelo governo, como a suspensão de autorizações para o desmatamento em 36 munícipios da Amazônia, e diz que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) poderá ser ainda mais prejudicial para a conservação da região. Pessimista em releção à influência do aquecimento global, Fearnside estima que até 2080 poderá ocorrer o fim da floresta.
Abaixo trechos da entrevista concedida por, Philip Fearnside, a Sérgio Pardellas, para ISTOÉ:
Sérgio: Entre as medidas anunciadas pelo governo na tentativa de combater o desmatamento está a suspensão de autorizações para o desmatamento nesses 36 municípios da Amazônia. É suficiente?
Fearnside: É necessário muito mais do que foi anunciado. Não é tão fácil baixar um decreto assim. Muita gente continua desmatando. Inclusive, em alguns desses municípios, sobretudo no sul do Pára e no noroeste do Mato Grosso, acontece muito desmatamento fora do controle do governo. É muito precária a fiscalização que é feita através de campanas e blitze intensivas. O alvo do governo é diminuir o desmatamento até julho deste ano. Mas é um objetivo muito limitado. São necessárias também medidas de longo prazo.
Sérgio: Quais?
Fearnside: Por exemplo, há uma decisão do governo de construir estradas que passam pela região. Isso vai provocar um desmatamento muito grande. O PAC foi anunciado sem nenhum estudo prévio, sem nunhuma análise da área que irá ser desmatada.
Sérgio: O sr. fala da BR-319, que liga as cidades de Porto Velho a Manaus?
Fearnside: Exato. A BR-319 não tem EIA-Rima. Hoje 80% do desmatamento é concentrado na periferia da floresta. Lado sul e Lado lesta. Mas, se forem concluídas essas estradas, o centro e o norte amazônia ficarão expostos para o problema do desmatamento.
Sérgio: Mas as obras de infra-estrutura não são necessárias para a Amazônia?
Fearnside: Acho que o princípio para todas as decisões é analisar os impactos e os benefícios antes de tomar a decisão.
Sérgio: Então, o PAC da forma como está sendo viabilizado na região,será prejudicial?
Fearnside: Sem dúvida o PAC ajuda a desmatar. Quando abrirem a BR-319, vai ampliar o quadro do desmatamento. E vão invadir áreas que hoje estão intactas. E não só a BR-319. Também está prevista no PAC toda uma rede de estradas laterais ao longo dos rios Madeira e Purus, que abrirá todo aquele bloco de floresta intacta no oeste do Estado do Amazonas. Isso muda a geografia do desmatamento. É muito importante que isso seja repensado.
Sérgio: Mas, então, a floresta tem que ficar completamente intocada? Como desenvolver a região e garantir a qualidade de vida da população da Amazônia?
Fearnside: Ninguém falou que deva existir atividade econômica na Amazônia. Mas temos alternativas. Por exemplo, faço parte de uma equipe que mapeia e monitora os serviços ambientais prestados pela floresta. Não tenho dúvida em dizer que o melhor caminho para conter o corte de árvores é transformar esses serviços em ganhos econômicos.
Sérgio: Como seria isso?
Fearnside:Um dos grandes papéis da floresta é regular o clima do planeta. A biodiversidade também e importante. O que tem mais perspectiva de virar no curto e médio prazo uma fonte de renda que poderia substituir a destruição da floresta como base da economia é o efeito estufa.
Sérgio: O sr. está querendo dizer que o mundo ressarciria a Amazônia pelo papel que floresta presta na regulação do clima?
Fearnside: Precisa força diplomática para conseguir esse valor, que hoje está sendo dado de graça para o mundo. A Amazônia hoje vive da destruição da floresta. Corta, vende madeira, coloca gado,etc. É preciso mudar e basear a economia na manutenção da floresta e conseguir um fluxo finaceiro a partir do valor ambiental da floresta em pé para manter a população.
Sérgio: É possível afirmar que o desmatamento na amazônia pode ter efeitos sobro o clima da própia região e em outras partes do mundo?
Fearnside: Sem dúvida. A floresta lança grandes quantidades de gases de efeito estufa que vão contribuindo para o aquecimento global e têm impacto no mundo inteiro. Também têm um efeito sobre o ciclo da água que afeta o transporte de água até em São Paulo e em países da América Latina. Ainda nã temos cálculos sobre o que se perde de água com o desmatamento. O que dá para medir agora é a parte de emissão de gases, que pode acelerar a derrocada da floresta.
Sérgio: A destruição da Amazônia contribui com o efeito estufa e o efeito estufa destrói a floresta?
Fearnside: É um ciclo vicioso. O efeito estufa e o desmatamento se auto-alimentam. Na medida em que a floresta vai morrendo, são liberados gás carbônicos e outros gases que irão contribuir para um aumento médio de temperatura maior que a média global e uma redução no volume de chuvas. Com o aumento da temperatura, cada árvore precisa de mais água para sobreviver e, justamente aí, há menos chuvs. Com isso, a estiagem fica mais longa e as árvores ficam numa situação de fragilidade, propiciando a ocorrencia de incêndios florestais. Os incêndios podem não matar a floresta toda, mas eles esquentam a base do tronco da árvore, o que acaba provocando a morte delas, sobretudo as maiores, que são mais sensíveis. Aí acontece um outro ciclo vicioso. Toda vez que ocorre um incêndio, muita madeira morta fica lá solta no meio da floresta, o que faz com que o incêndio subseqüente tenha maiores proporções, e assim sucessivamente.

" Ativista verdadeiro que do mal, fica alerta!!!"

Tome você, suas própias conclusões.

Postado ao som de * Marcelinho da Lua - Pode me Chamar

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